
Talvez um dia, quando cruzar pelas estradas um ciclista viajante você pergunte:
- O que leva um Ser Humano a trocar o conforto e a rapidez de um possante automóvel pela sutileza de cobrir grandes distâncias pedalando numa bike, transportando nos alforges uma diminuta quantidade de roupas e utensílios necessários para sobreviver a cada dia?
Desde os primeiros momentos que “adquiri a liberdade” de viajar pelas auto estradas pilotando camionetes 4X4, levando tudo o que tinha direito e um pouco mais, ficava admirado quando cruzava pelos caminhos os ciclistas viajantes, reduzidos a eles mesmos, movimentando-se com a própria força motriz, encarando com tranqüilidade o peso, as grandes distancias, as adversidades da natureza, o transito frenético, e a constante ameaça do próprio ser humano, que assola a sociedade.
Quando um ciclista viajante cruzava por meu caminho, eu não perdia a oportunidade de parar para trocar idéias, oferecer ajuda e tentar encontrar a resposta.
Conheci pessoas de varias origens e com os mais variados propósitos, mas tinham o mesmo objetivo, simplesmente viajar pedalando.
Um dos contatos mais fascinantes que fiz foi com um chileno que conheci na BR 101 entre Garopaba e a Praia da Guarda. Eu estava “baixadão” com um jipe Toyota, rebocando uma carreta recheada com quiver de pranchas, equipamentos de
surf, uma
montain bike, e tudo o que é necessário para um acampamento de frente ao pico de ondas. Meu destino era Curitiba. A viajem era de negócios, mas sempre com a possibilidade de surfar nos
surf-spots de toda a costa catarinense. Quando avistei o ciclista, passei por ele e encostei um pouco à frente, tornando inevitável o encontro. Apresentei-me e ofereci carona. O cara estava bem apresentável e com excelente astral. Contou que havia partido do Chile com poucos dólares, e que já havia percorrido todo o sul do Chile, cruzado a Argentina, o Uruguai, o Rio Grande do Sul, e estava subindo para Curitiba de onde iria para o Paraguai e de onde retornaria para o Chile. Gentilmente ele dispensou a carona, fazia questão de fazer todo o percurso no pedal. Fiquei sabendo que naquele momento ele tinha apenas R$ 5.00, porém esbanjado Fé, bom astral e muita energia para chegar onde quisesse, pois havia conquistado os ingredientes necessários para viver simples e honestamente, e cumprir com seus objetivos.
Creio que nunca vou ter a resposta para a polêmica pergunta, e isso é o que menos importa, mas se você insiste em tê-la, ponha tua
bike na estrada...
Babalu
M27 SURF SKATE & NATUREZA